Mostre-se mesmo
Ainda sobre a Mostra. Imaginem um cinema lotado, para uma sessão concorridíssima de um filme chinês de um diretor que é a bola da vez. Imaginou? Muito bem. Sessão atrasada, A e B conseguem finalmente entrar na sala após anos de fila para, claro, sentarem praticamente no colo dos atores, numa sala em que a tal legenda eletrônica só pode ser vista a no mínimo 20 metros de distância, tal a ausência de inclinação das cadeiras. Continuou imaginando? Pois nesse clima deu-se o seguinte:
A – Estou morrendo de sede e quero uma bala. Dá tempo?
B – Vai que acho que dá.
Espreme daqui, contorna dali, A consegue chegar até o corredor que leva à saída. Depois de breves instantes, espreme mais um pouco, pisa no pé do cara que sentava ao lado de B, que chamaremos de C, e A consegue retornar ao seu assento, totalmente esbaforida.
B – Comprou?
A – Comprei porra nenhuma, a fila estava gigante e essa merda não tem nenhum bebedor. Vou morrer de sede até o final da sessão.
Eis então que C se manifesta.
C – Quer um gole? (estendendo uma lata de refrigerante por cima de B)
A – Ai, muito obrigada. (Bebe alguns goles e devolve). Deus lhe pague.
C pergunta pra B – Quer um pouco também?
B – Não, obrigada.
B não resiste e completa – Você não é daqui é?
C – Moro em Curitiba, mas nasci em Brasília. Como você sabe? O sotaque?
B – Não, a atitude.
Fiquei pensando na quantidade de candura necessária para um estranho oferecer sua bebida a uma estranha em um cinema. Me pareceu tão surreal, tão surpreendente e ao mesmo tempo tão banal e corriqueiro. E quando foi mesmo que a gente ficou assim? Tão, tão, tão, seria paulistano? Eu não teria feito o mesmo porque 1) me sentiria constrangida de presumir que a pessoa não fosse sentir nojo de colocar a boca na minha bebida, 2) não quereria colocá-la numa situação embaraçosa de, apesar do nojo, sentir-se obrigada a aceitar minha oferta para não transmitir a sua repulsa e 3) porque eu mesma teria nojo para começo de conversa e foda-se que o estupor não providenciou a própria bebida. Mas que boniteza que ainda existe pessoas como C que fazem esse tipo de coisa com a maior naturalidade e outras, como A, que aceitam o gesto, agradecem e ponto.
A – Estou morrendo de sede e quero uma bala. Dá tempo?
B – Vai que acho que dá.
Espreme daqui, contorna dali, A consegue chegar até o corredor que leva à saída. Depois de breves instantes, espreme mais um pouco, pisa no pé do cara que sentava ao lado de B, que chamaremos de C, e A consegue retornar ao seu assento, totalmente esbaforida.
B – Comprou?
A – Comprei porra nenhuma, a fila estava gigante e essa merda não tem nenhum bebedor. Vou morrer de sede até o final da sessão.
Eis então que C se manifesta.
C – Quer um gole? (estendendo uma lata de refrigerante por cima de B)
A – Ai, muito obrigada. (Bebe alguns goles e devolve). Deus lhe pague.
C pergunta pra B – Quer um pouco também?
B – Não, obrigada.
B não resiste e completa – Você não é daqui é?
C – Moro em Curitiba, mas nasci em Brasília. Como você sabe? O sotaque?
B – Não, a atitude.
Fiquei pensando na quantidade de candura necessária para um estranho oferecer sua bebida a uma estranha em um cinema. Me pareceu tão surreal, tão surpreendente e ao mesmo tempo tão banal e corriqueiro. E quando foi mesmo que a gente ficou assim? Tão, tão, tão, seria paulistano? Eu não teria feito o mesmo porque 1) me sentiria constrangida de presumir que a pessoa não fosse sentir nojo de colocar a boca na minha bebida, 2) não quereria colocá-la numa situação embaraçosa de, apesar do nojo, sentir-se obrigada a aceitar minha oferta para não transmitir a sua repulsa e 3) porque eu mesma teria nojo para começo de conversa e foda-se que o estupor não providenciou a própria bebida. Mas que boniteza que ainda existe pessoas como C que fazem esse tipo de coisa com a maior naturalidade e outras, como A, que aceitam o gesto, agradecem e ponto.

2 Comments:
Fico pasma com esse tipo de comportamento.
Mas pensa, ele podia ser um maníaco que te ofereceu uma bebida com drogas, para sua experiência no cinema ir além da tela.
he he he
amei o post
acho q eu ofereceria
tbm acho que a gente sente a vibe na hora
ato tempo nao venho aqui, ne?
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