Tem ou não tem?
Fulano tem berço. Cicrano não tem. Beltrano então, nem se fala. Melhor não comentar. Todo mundo já ouviu isso, até já disse isso quem sabe (eu então, nem se fale). Mas o que esse negócio de ter berço realmente quer dizer? Que o fulaninho em questão teve a sorte não compartilhada por seus compatriotas de ter nascido numa família abastada e de elevado padrão econômico-social? De ter sido balançado sobre material precioso e reluzente quando bebê? Mais ou menos. Porque ter berço mesmo, pelo menos para mim e pra muita gente que eu conheço, quer dizer outra coisa. Uma que não tem nada a ver com ouro nem com saldo bancário.
Na minha cartilha quem tem berço tem educação. Tem compaixão. Tem respeito pelos outros habitantes do planeta. E veja bem, respeito é uma palavra bem ampla. Que inclui um mundo todo de pequenos e grandes gestos. Quem tem respeito não deixa torneira aberta porque a água é escassa e ameaçada de extinção (mesmo em tese podendo pagar uma exorbitante conta no fim do mês). Não pára em fila dupla. Não joga papel no chão. Conjuga a primeira pessoa do plural com a mesma freqüência que conjuga a do singular. Não trapaceia porque é legal fazer os outros de bobos. Não pisoteia e nem espicaça os anteriores na cadeia alimentar. Ter berço não tem nada a ver com ser brega, cafona, rico, pobre, sofisticado ou péssimo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ou seja, quem não nasceu em berço de ouro pode ter berço? Com certeza. Quem nasceu em um necessariamente tem? De jeito nenhum. Quem não tem pode comprar? Pode fazer um curso que ensina a ter? Pode dormir sem e acordar com? Não, não e não. Afe, mas então o que faz uma pessoa sem berço? Bem, é triste, mas é verdade. A única coisa a fazer é nascer de novo.
Na minha cartilha quem tem berço tem educação. Tem compaixão. Tem respeito pelos outros habitantes do planeta. E veja bem, respeito é uma palavra bem ampla. Que inclui um mundo todo de pequenos e grandes gestos. Quem tem respeito não deixa torneira aberta porque a água é escassa e ameaçada de extinção (mesmo em tese podendo pagar uma exorbitante conta no fim do mês). Não pára em fila dupla. Não joga papel no chão. Conjuga a primeira pessoa do plural com a mesma freqüência que conjuga a do singular. Não trapaceia porque é legal fazer os outros de bobos. Não pisoteia e nem espicaça os anteriores na cadeia alimentar. Ter berço não tem nada a ver com ser brega, cafona, rico, pobre, sofisticado ou péssimo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ou seja, quem não nasceu em berço de ouro pode ter berço? Com certeza. Quem nasceu em um necessariamente tem? De jeito nenhum. Quem não tem pode comprar? Pode fazer um curso que ensina a ter? Pode dormir sem e acordar com? Não, não e não. Afe, mas então o que faz uma pessoa sem berço? Bem, é triste, mas é verdade. A única coisa a fazer é nascer de novo.

7 Comments:
a gente pode tirar a mulher da ralé
mas é muito, muito difícil
tirar a ralé da mulher
that's all
exato, amore.
acho q tem gente com alma e sem alma.
acho que tem alma sem gente também, mas eu não vejo. o chico xavier via.
ei, por que vc não escreve um livro?
E ter berço tá tão na moda, né? É tão mais bonitinho! Estranho, mas tem gente q não acha.
eu sempre fui pobre e esculhambado; mas não é relação de causa-efeito !!!
Quem nasceu sem berço que providencie um chiqueirinho.
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