Bem feito
Meu desgosto por shopping centers tem aumentado vertiginosamente.
Quando o carro embica na catraca e eu aperto o botão do papelzinho do estacionamento, começo a ficar desconfortável. Apesar de imediatamente guardá-lo num lugar seguro e de fácil acesso, inevitavelmente ficarei procurando em todos os compartimentos da bolsa e da calça e da jaqueta na hora de pagar, com a nítida e crescente sensação de que desta vez perdi mesmo e vou mesmo ter que pagar a multa. É verdade, para pessoas desorganizadas já existe as maravilhas do Sem Parar e eu deveria adquirir um, mas do males, esse é o menor.
A quantidade de grosserias que uma pessoa é obrigada a aguentar num shopping center é diretamente proporcional ao poder aquisitivo dos frequentadores. Em sendo assim, prepare-se para uma saraivada de bolsadas se for ao Iguatemi. Depois de algum tempo lá, fico tão irritada e deprimida com o desprezo do ser humano por seu semelhante, que quero sair correndo. E esse sentimento não é em nada atenuado pelas lojas com coisas maravilhosas e preços exorbitantes. Tem gente que compra malha de três mil reais? Tem comprador para pares de sapato de novecentos? Tem. Provavelmente aquele projeto de perua com salto agulha que quase nocauteou você com sua Louis Vuitton e nem sequer olhou pra trás, nem mesmo para reclamar que você se atreveu a se posicionar no caminho dela.
No meio da tentativa vã de achar algo legal para dar de presente, num preço acessível, você se vê cansada e com fome e aí comete o erro fatal de se direcionar para a praça de alimentação. A comida vai ser cara para o que é, você vai se ver com uma bandejinha em punho e vai ter dificuldade pra arrumar um cantinho onde possa engolir seu pão de batata com um pouco de dignidade. Sem falar do excesso de decibéis que habitam o local. Ninguém merece.
Foi isso que vivi ontem, em pleno domingão. E a experiência foi coroada pela decisão impensada de assistir a Homem Aranha III no Iguatemi PlayArte. O ingresso é quase tão caro quanto o do repaginado Cinemark, com a diferença de que o cinema é uma mistura curiosa de cheiro de xixi e pipoca com manteiga. E eu vou falar, o filme não ajudou. Eu não estava esperando nenhum Ettore Scola, estava esperando ver um filme de entretenimento, cheio de efeitos especiais, do único jeito possível (para mim) de apreciar o gênero: numa tela bem grande com som dolbi stereo. Mas nem todo o efeito especial do mundo deixou o filme menos ridículo. Supostamente, o enredo central é o fato do Homem Aranha (vivido por Toby Maguire) se ver confrontado com seu lado negro e ter que resistir a ele e retornar ao louvável caminho do bem. Muita areia é jogada nesse dito enredo “central”. E muita areia não é força de expressão. Tadinho do Toby. Ele não convence como mau e não convence como gostoso. Porque não é. É tudo uma grande baboseira que demora horas pra acabar.
Bem-feito pra mim e minha idéia de jerico de ir ao shopping mais caro por metro quadrado da cidade, em pleno domingo, e ainda assistir a um blockbuster dos mais duvidosos.
Quando o carro embica na catraca e eu aperto o botão do papelzinho do estacionamento, começo a ficar desconfortável. Apesar de imediatamente guardá-lo num lugar seguro e de fácil acesso, inevitavelmente ficarei procurando em todos os compartimentos da bolsa e da calça e da jaqueta na hora de pagar, com a nítida e crescente sensação de que desta vez perdi mesmo e vou mesmo ter que pagar a multa. É verdade, para pessoas desorganizadas já existe as maravilhas do Sem Parar e eu deveria adquirir um, mas do males, esse é o menor.
A quantidade de grosserias que uma pessoa é obrigada a aguentar num shopping center é diretamente proporcional ao poder aquisitivo dos frequentadores. Em sendo assim, prepare-se para uma saraivada de bolsadas se for ao Iguatemi. Depois de algum tempo lá, fico tão irritada e deprimida com o desprezo do ser humano por seu semelhante, que quero sair correndo. E esse sentimento não é em nada atenuado pelas lojas com coisas maravilhosas e preços exorbitantes. Tem gente que compra malha de três mil reais? Tem comprador para pares de sapato de novecentos? Tem. Provavelmente aquele projeto de perua com salto agulha que quase nocauteou você com sua Louis Vuitton e nem sequer olhou pra trás, nem mesmo para reclamar que você se atreveu a se posicionar no caminho dela.
No meio da tentativa vã de achar algo legal para dar de presente, num preço acessível, você se vê cansada e com fome e aí comete o erro fatal de se direcionar para a praça de alimentação. A comida vai ser cara para o que é, você vai se ver com uma bandejinha em punho e vai ter dificuldade pra arrumar um cantinho onde possa engolir seu pão de batata com um pouco de dignidade. Sem falar do excesso de decibéis que habitam o local. Ninguém merece.
Foi isso que vivi ontem, em pleno domingão. E a experiência foi coroada pela decisão impensada de assistir a Homem Aranha III no Iguatemi PlayArte. O ingresso é quase tão caro quanto o do repaginado Cinemark, com a diferença de que o cinema é uma mistura curiosa de cheiro de xixi e pipoca com manteiga. E eu vou falar, o filme não ajudou. Eu não estava esperando nenhum Ettore Scola, estava esperando ver um filme de entretenimento, cheio de efeitos especiais, do único jeito possível (para mim) de apreciar o gênero: numa tela bem grande com som dolbi stereo. Mas nem todo o efeito especial do mundo deixou o filme menos ridículo. Supostamente, o enredo central é o fato do Homem Aranha (vivido por Toby Maguire) se ver confrontado com seu lado negro e ter que resistir a ele e retornar ao louvável caminho do bem. Muita areia é jogada nesse dito enredo “central”. E muita areia não é força de expressão. Tadinho do Toby. Ele não convence como mau e não convence como gostoso. Porque não é. É tudo uma grande baboseira que demora horas pra acabar.
Bem-feito pra mim e minha idéia de jerico de ir ao shopping mais caro por metro quadrado da cidade, em pleno domingo, e ainda assistir a um blockbuster dos mais duvidosos.

2 Comments:
eu acho q vou no iguatemi a cada 6 meses... qdo me dá umas síndromes alucinógenas de rockstarmilionáriatocaganoeandano.
confesso q me sinto meio avonts
doentinho, eu???
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