Ainda sobre Santiago
Luiz Carlos Merten escreveu sobre Santiago hoje no Caderno 2 do Estadão. Como eu, ele também amou o filme, sem falar com essas palavras, óbvio, talvez porque não seja do seu feitio, talvez porque não é assim que se escreve num jornal. Mas como esse é o meu espaço e eu ocupo ele do jeito que bem entender, disse e repito que A-M-E-I o filme (e não porque o considerei um filme de amor). Mas estou divagando.
Merten abordou pontos muito interessantes, lembrou Visconti, falou do quanto o elemento tela escura e sem som salta aos olhos e aos ouvidos do espectador, lembrou o que João Moreira Salles tinha dito do filme ser auto-explicativo, mas no final da matéria/crítica disse que o tema de Santiago era o "do espaço morto da casa do pai". Porque todos morreram, e Santiago diz C'est tout!
Você vai me desculpar, Luiz Carlos, não tenho nem de longe a sua erudição ou conhecimento do assunto, mas o tema pode até ser o do espaço da casa do pai, mas o do espaço vazio, morto, não.
Sim, muitos morreram, Santiago, inclusive, seus personagens aristocráticos, os donos da casa. Mas o espaço da casa do pai, que eu vou preferir adjetivar de vazio, está vivo, vivíssimo. A vida, aliás, permeia o filme de cabo a rabo, pulsante na memória do diretor, na sua busca de resgatar as lembranças e histórias da casa onde passou da sua infância aos 20 anos, na memória de Santiago, na sua tarefa herculana de fazer reviver suas figuras nobres.
De morto esse espaço não tem nada.
Merten abordou pontos muito interessantes, lembrou Visconti, falou do quanto o elemento tela escura e sem som salta aos olhos e aos ouvidos do espectador, lembrou o que João Moreira Salles tinha dito do filme ser auto-explicativo, mas no final da matéria/crítica disse que o tema de Santiago era o "do espaço morto da casa do pai". Porque todos morreram, e Santiago diz C'est tout!
Você vai me desculpar, Luiz Carlos, não tenho nem de longe a sua erudição ou conhecimento do assunto, mas o tema pode até ser o do espaço da casa do pai, mas o do espaço vazio, morto, não.
Sim, muitos morreram, Santiago, inclusive, seus personagens aristocráticos, os donos da casa. Mas o espaço da casa do pai, que eu vou preferir adjetivar de vazio, está vivo, vivíssimo. A vida, aliás, permeia o filme de cabo a rabo, pulsante na memória do diretor, na sua busca de resgatar as lembranças e histórias da casa onde passou da sua infância aos 20 anos, na memória de Santiago, na sua tarefa herculana de fazer reviver suas figuras nobres.
De morto esse espaço não tem nada.

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